"uma dor que se reparte, não custa tanto a sofrer"
in fado "Lenitivo", letra de Fernanda Santos; edição em 1966
Muitos consensos, muitos propósitos, foram divisados entre o remoinho dos trinados e o rodado dos xailes. Que o destino*, levantado à vontade, continua a ser o próprio*.
*(definição, fado)
2.Demonstração
"tu, p'ra mim vens de carrinho..."
in fado "Chamou-me Louco", letra de Joaquim de Freitas; edição em 1957
O simbolismo, e toda a linguagem propulsionada pelo uso abstrato da representação na escrita, proporcionaram grandes momentos de poesia dos actos transactos (demonstração).
3.Reforço
Abençoada mentira, nunca me fales verdade / Abençoada mentira, nunca me fales verdade
técnica de repetição do verso no fado
O fado é tão centrado em si que não admite coro. Desconheço canções do cânon legítimo que contemplem a segunda voz (não se incluí, obviamente, a desgarrada), harmonizações ou outros formantes vocais. O reforço deriva sempre, o reforço deriva sempre, da repetição do verso, o mesmo pela mesma/o.
4.Resolução
"no céu, no mar andam escolhos",
João Linhares Barbosa, verso do fado Tia Dolores
É uma ousadia balbuciar meia dúzia de palavras sobre o poema inscrito. É ulteriormente sublime a exactidão da palavra "escolhos" (que não deriva de escolha) com a covalência do verso "se a gente segue o destino" - a resolução aplicada à matéria talhada.
5.Insistência
Há semanas que não sai nem uma gota. É o frio, o tempo quadriculado, os espasmos, tudo junto, queimado pela geada e estalado em versos esquinados: "fazia praça ali na horta seca, e morava na rua da atalaia". Com cautela, por conseguinte, insistindo na terminação.