Espiolhar
Eu, por vez, espiolho - (automated autonomy playing on his mind, the spy in the cab).
Há dias, durante um interminável jogo de basket em que era suposto contribuir de forma enérgica sinérgica para o esforço colectivo, ouvi uma conversa que me deixou enredado. By the courtside falava-se do sms tv. Já tinha percebido que um dos últimos canais da TV Cabo era uma espécie de irc hardcore, bastante explícito; uma posta restante de mensagens sobreliminares. Como as caixas de correio seguras do Sam McReady dos livros do Irving Wallace.
O jogo passou para um plano muito secundário, visto que o meu raio de acção ficou limitado pelo campo auditivo. E, pelo que percebi: aquilo é a sério! Não vou reproduzir o que ouvi, mas, pelas descrições vividas e detalhes factuais, concluí que o sms tv não é fancaria a fingir diamantes. Existem pessoas que escrevem aquelas mensagens; existem corpos que vivem aquelas mensagens.
A moralidade pouco me interessa e este não é um post religioso monoteísta. O que vale é o fascínio pela organização da vida numa sociedade que contempla o sms tv. Moral, Mural, Amoral ou Imoral, o comportamento não é relevante nestas linhas.
Como diria o Lou Reed: "Some people they like to go out dancin and other people they have to work. Just watch me now. And there's even some evil mothers: Well there gonna tell you that everthing is just dirt"
Eu juro que o Lou Reed diz "if you think is just dirt".
Hoop Dreams
Dreams Never End dizem os New Order
Hoop Dreams Never End digo eu.
Tenho mais 12 ou 13 anos (e certamente o dobro da quantia em quilos) do que quando comandava exércitos dentro do campo de basquet. Possivelmente, deveria começar a aprender a jogar golf. Mas os Hoop Dreams não se esgotam.
Vou jogar um basquetzinho uma vez por mês e, nessa gloriosa e quixótica tarde (o meu movimento dilecto, o meu hoop dream, foi sempre o windmill) lanço centenas de vezes a bola ao cesto, finto todos os adversários que imagino e driblo todas as defesas que não existem. Simulo entradas, rotações (spins away!), turn-around shots, fade-aways e triplos que não contam em cima do limite do tempo (from downtown, beats the buzzer...). Jogo contra o cesto, contra o tempo, contra mim... a meu favor.
o vosso Field Commander Cohen (desculpem Pedro)
Søren Kierkegaard (court side)
O tempo não tem estado mau permitindo umas idas ao campo de basket. Enquanto os lançamentos se sucediam (falhados), a dialéctica e demais métodos de compreensão da realidade decorriam (igualmente logrados). O cesto, renitente em permitir os desejados 2 pontos, simulava a ordem de "Os Conceitos da Ironia com Referências Contínuas..." e regurgitava todo e qualquer lançamento, independentemente do acrisolamento técnico e da virtude dos jogadores. Receoso, e farto de falhar (como em "Fear and Trembling") um dos intervenientes apelou a intervenções superiores referindo: "não sei se guardo mais ressentimentos contra a catequista ou se contra o treinador de basquet". Um adversário corrigiu-o dizendo "either/or". A amplitude do apuro não foi imediatamente compreendida. Era um fast-break e o jogo estava perto do fim. Ficou a ideia da alusão a um disco de Elliott Smith e pouco mais. Disseste "falta"? "Não! disse either/or - e/ou. Ressentimentos contra a catequista e/ou o treinador de basquet". A conceptualização Dread prosseguiu em bom ritmo e rapidamente teriam chegado ao The Sickness Unto Death (e às questões de alinhamento com Deus) se no Inverno não escurecesse cedo. Em 2006, jogar basquet por neuronavegação é ainda inexequível; e o gps-sonar funciona mal fora do deserto. Erros que recusam correcção.
Friday, November 03, 2006
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Pedro Lago
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